Como funciona o capital de giro para empresas?

O capital de giro está relacionado com todas as contas financeiras que movimentam dentro do dia a dia de uma organização/empresa entre outros.

Capital de giro significa dinheiro necessário para financiar a continuidade das ações de uma  empresa, como fundos para financiamento aos cliente, recursos para manter estoques e recursos para pagamento aos fornecedores (compras de matéria-prima ou mercadorias de revenda), pagamento de impostos, salários e demais custos e despesas operacionais.

Venda a prazo x capital de giro

Toda empresa que vende a prazo necessita de capital de giro para suprir essa lacuna criada por esse prazo concedido na venda a prazo, pois quando o produto é vendido ela precisa repor esse estoque, ou mesmo na prestação de serviços repor insumos, pagar salários, e demais despesas em geral.

A maioria dos administradores das pequenas empresas já deve ter enfrentado situações em que teve que atuar como bombeiro e correr atrás de fôlego para o capital de giro.

O problema é que esse fogo pode se alastrar e alguns incidentes podem levar à quebra de uma empresa, atraso de recebimento de algum cliente importante, necessidade de compra de matéria-prima, conserto de equipamento, despesa trabalhista inesperada, etc.

O capital de giro é a peça chave para um planejamento financeiro de qualidade e consistente capaz de se manter de pé diante de algumas turbulências do departamento financeiro.

Qual o capital de giro necessário para uma empresa funcionar?

Quanto uma empresa precisa ter de capital de giro para operar?

“De acordo com o Sebrae, de cada dez empresas que abrem, seis fecham em cinco anos de vida. Esse índice é considerado muito alto para os padrões de hoje, com o avanço do conhecimento e das consultorias de gestão. Um dos principais desafios de um empreendimento, para que o empresário fuja dessa estatística, é a perfeita administração do capital de giro”.

A resposta para a pergunta acima é planejar os gastos em função do negócio que ele está desenvolvendo para um prazo de três anos, sendo muito realista e sincero com seu negócio, e a partir deste cálculo separar o montante para o capital de giro.

A sugestão proposta por estudiosos do assunto é que o empresário se prepare para que nos primeiros seis meses o capital de giro possa cobrir até 70% de todos os gastos planejados para esse período, e ainda ter um capital adicional para cobrir 50% dos gastos dos próximos seis meses.

Mesmo assim, sabemos e devemos prever que eventualidades não previstas podem acontecer e o capital de giro não ser o suficiente, por isso na hora de planejar metas de vendas e resultados esperados a meta estipulada deve ser ousada para que não se tenha a necessidade de usar o capital de giro.

Adiantamento de recebíveis

Antecipar ou não antecipar recebíveis?

Se uma empresa tem créditos a serem recebidos nos próximos dias, semanas ou até meses, uma forma de conseguir capital rápido, menos burocrático e financeiramente mais barato é fazendo um adiantamento dos créditos recebíveis, a principal vantagem é não ter que esperar 30, 90 ou 90 dias para receber o dinheiro que obteve pelas vendas que realizou.

No entanto, a desvantagem que muitas empresas enfrentam hoje é que os bancos descontam uma taxa de juros elevada, tornando a operação de certa forma cara para a empresa e financeiramente inviável em algumas situações, porém se formos levar em consideração um empréstimo bancário por exemplo essa opção tende a ser mais baixa, e apesar de ser uma boa opção ela deve ser utilizada somente em extrema necessidade.

Dicas para uma melhor administração do capital de giro

Transformar idéias em dinheiro

Como o capital de giro é usado para pagar despesas imediatas, é preciso ficar atento à liquidez da empresa, ou seja, garantir que os recursos não estejam todos comprometidos em investimentos de longo prazo ou em bens difíceis de serem vendidos.

Muitos microempreendedores arriscam as finanças ao assumir dívidas acreditando em previsões de faturamento, mas se o dinheiro não entrar na conta como previsto, a empresa pode ficar sem capital de giro rapidamente.

Por isso, registre como receita garantida, para compor o capital de giro, somente aqueles produtos e serviços já faturados e com prazo de pagamento definido.

A vida dos empreendedores não é fácil: é comum que pagamentos, cujo o prazo se aproxima, sejam dificultados ou impossibilitados por clientes que se atrasam para quitar as dívidas.

Por isso, é preciso ter jogo de cintura para negociar prazos mais extensos com os fornecedores e mais curtos com os clientes, evitando o esgotamento dos recursos em conta corrente, que podem implicar em elevados juros de cheque especial.

Por mais que a empresa tenha recursos em caixa para fazer uma compra à vista, é importante considerar o parcelamento da dívida, especialmente quando não exige o pagamento de juros.

Isso faz com que o empreendedor não comprometa o capital de giro no curto e médio prazo e possa aproveitar melhor o dinheiro que tem em caixa para se virar com as despesas do dia a dia.

Muitas empresas possuem alguns produtos e serviços no portfólio que geram receita de forma mais rápida.Uma boa dica é intensificar os esforços de vendas para esses itens no intuito de reforçar o caixa em busca de aumentar o capital de giro.

Caso a sua empresa observe todas as dicas acima, é bem provável que não precise recorrer ao capital de terceiros. No entanto, em situações extremas, não exclua a possibilidade de fazer financiamentos a juros baixos para garantir o dinheiro necessário para pagar as contas, desde que as parcelas não comprometam as finanças.

Um dos grandes problemas para as micro empresas é o controle financeiro. Por isso, uma das melhores formas de garantir o capital de giro para o negócio é gerenciando as suas finanças  com um fluxo de caixa preciso e detalhado, e com projeções futuras para estudar a reserva de dinheiro ideal para cobrir as despesas.

Softwares que ajudam a controlar as finanças são fundamentais para que os micro empresários deixem de lado as planilhas de Excel e possam gerenciar o dinheiro de forma mais estratégica.

Efeito tesoura: o que é e quais são suas causas:

Efeito tesoura, qual a sua influência dentro de uma empresa

“O conceito, desenvolvido pelo francês Fleuriet na década de 70, baseia-se no fato de uma empresa precisar de capital de giro cada vez maior e dispor de um saldo em tesouraria cada vez menor, negativo. O nome efeito tesoura vem da forma como as linhas do gráfico dessa relação ficam dispostas: como uma tesoura aberta”.

A dificuldade financeira pela qual algumas empresas passam é causada por diversos fatores como, por exemplo, uma má gestão de seu capital de giro.

O resultado disso é o surgimento do efeito tesoura. É importante que as empresas trabalhem as finanças de forma preventiva, e deve utilizar seus índices para este fim.

Os dados apurados periodicamente podem diagnosticar antecipadamente problemas que possam atrapalhar a liquidez de uma empresa, deixando os gestores atentos – e preparados – para eventuais problemas que possam acontecer e aptos a desenvolverem medidas para solucionarem estas questões.

Pode-se ter como fator responsável o crescimento no volume operacional do negócio. Observa-se que as empresas que apresentam esta discrepância financeira têm como principais causas o endividamento, o crescimento nas vendas e prejuízos recorrentes.

Através do modelo de Fleuriet, pode ser avaliada, ao longo do tempo, a posição de liquidez da empresa, assim identificando sua saúde operacional e financeira. Dependendo do resultado conseguimos avaliar se se a empresa está ou não passando por problemas de liquidez.

Quais os riscos de um mau controle do capital de giro?

Quando se trabalha com um baixo capital de giro, os riscos operacionais aumentam, deixando a empresa suscetível a um caixa negativo, o que compromete o bom funcionamento das atividades.

Em muitos casos, numa administração ineficiente do capital de giro e um inadequado planejamento financeiro, empreendedores acabam recorrendo a bancos e contraindo empréstimos e financiamentos para cobrir as dívidas do negócio.

Contudo, ao lançar mão desta estratégia, os empreendimentos ficam vulneráveis aos bancos e tendem a negociar em uma posição totalmente desfavorável, ou seja, são obrigados a concordar com termos e contratos adversos e que colocarão a empresa numa situação ainda mais negativa.

Como se calcula o capital de giro?

Calculando o capital de giro, suas fórmulas!

Antes de realizar qualquer cálculo, é preciso ter algumas informações na ponta do lápis. As contas do caixa e do banco representam os recursos mais importantes, visto que eles são concentrados e estão disponíveis para a empresa de forma mais imediata.

As contas a receber também entram no cálculo do capital de giro. Elas são o resultado das vendas a prazo, ou seja, em que o pagamento ocorre depois. Quanto maior for o valor e o prazo que você oferecer ao consumidor, mais recursos a empresa precisará para arcar com as contas a receber enquanto esse dinheiro não entra no caixa.

Outra conta importante e que precisa ser levantada em consideração é o valor do estoque, pois sua modificação está diretamente atrelada a mudanças e necessidades do perfil do consumidor no mercado.

Como o investimento em estoque demanda uma grande quantidade de recursos financeiros, já que as mudanças envolvem investimentos constantes e aumento no número de itens disponíveis, é preciso ficar atento aos recursos disponíveis para tal — caso contrário, o negócio corre o risco de contrair dívidas.

Para o cálculo do capital de giro, há uma fórmula simples e que pode ser adotada para qualquer negócio:

CGL = AC – PC

Onde:

* “CGL” se refere ao capital de giro líquido e a todos os recursos, seja em maior ou menor grau, que devem ser controlados para que o empreendedor não tenha surpresas com resultados negativos.

* “AC” diz respeito ao ativo circulante (caixa, bancos, contas a receber e tantos outros recursos).

* “PC” corresponde aos fatos do passivo circulante (contas a pagar, empréstimos, fornecedores, entre outros).

Para manter a saúde financeira do seu negócio, é preciso estar sempre atento à administração do capital de giro, garantindo não só a sobrevivência, mas o sucesso de sua empresa!

O que é capital de giro líquido?

Até aqui, fica relativamente fácil entender o capital de giro e a sua importância para a empresa. Mas precisamos ir um pouco além para abordar o conceito de capital de giro líquido (CGL).

Primeiro, as semelhanças: ambos levam em consideração o ativo circulante e o passivo circulante do negócio, formados por receitas e despesas financeiras e operacionais.

A diferença é que o capital de giro se restringe àquilo que está relacionado com a operação da empresa, excluindo, por exemplo, o seu saldo disponível (ativo) e empréstimos (passivos), que entram na conta do capital de giro líquido, também chamado de capital circulante líquido (CCL).

Assim, o CGL corresponde ao valor necessário para que o empreendedor honre todos os seus compromissos financeiros no curto prazo.

 

O que é capital de giro próprio?

Vamos falar agora do capital de giro próprio, que nada mais é do que a capacidade que uma empresa possui para financiar seu ciclo operacional com recursos próprios e não de terceiros.

Seu cálculo considera a diferença entre o patrimônio líquido e o ativo permanente. Para chegar ao resultado, vale entender os conceitos:

  • Patrimônio líquido: representa a riqueza efetiva da empresa, figurando no balanço patrimonial como um passivo não exigível. Nessa categoria, por exemplo, estão os valores investidos no negócio, os lucros gerados e que aguardam a distribuição entre os sócios, além de reservas de valores.
  • Ativo permanente: representa bens e direitos de permanência duradoura e difícil liquidez (facilidade com que são transformados em dinheiro), mas que são utilizados na operação do negócio. São classificados como imobilizados (como móveis, imóveis, equipamentos e veículos), investimentos (geram rendimentos, mas não são necessários à atividade), intangíveis (não monetários e sem existência física, como marcas e patentes) e diferidos (despesas que contribuem com resultados futuros, como gastos pré-operacionais, com pesquisas, sistemas e desenvolvimento de produtos).

Quando a conta resulta em um saldo positivo, significa que todo o ativo permanente e não circulante foi financiado com recursos próprios e há ainda valores disponíveis para outras aplicações.

Já o saldo negativo indica capital de giro próprio insuficiente, exigindo recursos de outra natureza para completar seu financiamento (capital de giro de terceiros).

São fatores que aumentam o capital de giro próprio:

  • Lucros
  • Venda de bens do ativo permanente
  • Aporte de recursos por parte de sócios
  • Contas retificativas (depreciação, exaustão e amortização).

São fatores que reduzem o capital de giro próprio:

  • Prejuízos
  • Aquisição de ativo imobilizado
  • Investimentos
  • Distribuição de lucros
  • Aplicações em ativos diferidos.

 

Conclusão

Sabendo o que é capital de giro, qual é a sua relevância para a saúde financeira da empresa e como calculá-lo, fica mais fácil agir com planejamento e ter uma gestão mais eficiente do seu negócio!

E então, restou alguma dúvida sobre esse assunto? Compartilhe conosco nos comentários, ou nos mande um e-mail para contato@payplug.com.br estaremos ansiosos por recebe-los e poder ajudá-los!

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